RECENTES AVANÇOS NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO CÂNCER DE TIREÓIDE
Prof. Geraldo Medeiros
O nódulo tireóideo que inclui no seu interior células cancerígenas é frequentemente de diâmetro com cerca de 10 milímetros, presente na glândula tireóide de adultos com idade superior a 45 anos. Em trabalho recente de Hughes e cols na revista THYROID, janeiro 2011, argumenta-se que este tipo de microcarcinoma deve receber a orientação terapêutica usual, isto é, cirurgia total da tireóide e tratamento com radioiodo. Tal ponto de vista, todavia, não é unânime entre especialistas, havendo ampla controvérsia a respeito.
O câncer de tireóide apresentava em 1975 incidência, nos Estados Unidos, de 3,9novos casos por cem mil habitantes. Em 2007, a incidência pulou para 12 novos casos/cem mil habitantes. Tal fato indica melhora no diagnóstico e um alerta geral para que esta patologia da tireóide seja diagnosticada adequadamente por endocrinologistas, clínicos gerais, ginecologistas e cirurgiões. A facilidade para diagnóstico se eleva com o uso, cada vez mais freqüente de ultrassonografia e punção aspirativa do nódulo. Os profissionais da saúde em geral estão cada vez mais alertas para o diagnóstico precoce do câncer de tireóide. Os centros especializados, todavia, advertem que, mesmo nódulos com 10mm (ou menos) devem receber orientação de cirurgia total da tireóide e radioiodo, para evitar possíveis recidivas em futuro próximo ou distante.
A punção aspirativa do nódulo de tireóide em cerca de 25% dos pacientes não indica, pelo exame das células, um diagnóstico preciso de câncer de tireóide. O citologista prefere afirmar que o exame é indeterminado, ou seja, não foi possível chegar a diagnóstico. O estudo de Kim e cols., de janeiro de 2011, sugere que as células coletadas na punção devem ser submetidas a testes de alterações no DNA. Existe mutação genética chamada de BRAF (V600E) que aumenta a possibilidade de diagnóstico de câncer, se for positiva. No caso da Coréia, 80% dos pacientes com células que foram consideradas positivas para BRAF apresentavam câncer papilífero da tireóide. No entanto, nos Estados Unidos, Europa e aqui no Brasil, o percentual é bem menor (cerca de 30 a 45% de BRAF positivo). Conclui-se que, em punções com citologia indeterminada, pode se realizar a pesquisa de BRAF: no caso de ser positivo, o diagnóstico é de câncer papilífero, mas se for negativa, ainda não temos certeza de benignidade do nódulo e, possivelmente, o paciente irá para cirurgia da tireóide.
Conclusão: apesar de termos avançado muito no diagnóstico de câncer da tireóide, ainda não se consegue um diagnóstico pré-cirúrgico que indique claramente se o nódulo é benigno ou maligno.
(enviada por e-mail pelo Dr Geraldo Medeiros-a pedido do Grupo CANTI )
Apresentação
CANTI - Grupo de Apoio a Portadores de Câncer da Tireóide Nasceu da vontade de compartilhar vivências, mais que trocar informações, é uma oportunidade de apoiarmos uns aos outros.
A partir do encontro, o acolhimento através do olhar, do ouvir, do falar. Todos estamos no mesmo barco, pois vivenciamos situações semelhantes: medo, ansiedade, dúvida, esperança e confiança.
Uma responsabilidade mútua permeia este grupo, formando uma rede de solidariedade, em que o senso de pertencimento proporciona o suporte necessário para enfrentar e prosseguir na luta pela VIDA PLENA E FELIZ.
domingo, 27 de março de 2011
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